ILIB – Desvendando o Protocolo

ILIB – Desvendando o Protocolo

Hermes Pretel detalha a técnica ILIB, com irradiação laser intravascular na corrente sanguínea, debatida em eventos de HOF.

Separei um assunto que está em muitas discussões nos eventos da Harmonização Orofacial (HOF): a aplicação de laser sistêmico de maneira transcutânea na região da artéria radial, técnica essa conhecida como ILIB irradiação laser intravascular na corrente sanguínea.

O ILIB modificado, como determinamos nos dias atuais, vem a ser mais uma técnica de fotobiomodulação, entre as inúmeras possibilidades terapêuticas que conhecemos. Sua principal vantagem é a possibilidade de fazer a aplicação de maneira sistêmica, beneficiando todo o organismo.

O uso do laser terapêutico vermelho de maneira transcutânea tem sido uma ótima opção como valor terapêutico agregado ao tratamento de várias patologias. Semelhante a uma hemoterapia, o tratamento proporciona estímulos sistêmicos e promove:

  • Ação antioxidante (terapia anti-aging),
  • Aumento da saturação de oxigênio (atenuando transtornos pulmonares, como pneumonias, bronquites, enfisemas, asmas etc), melhora da capacidade hemorreológica de hemácias (controle de alterações cardiovasculares),
  • Ativação do sistema imunológico (aumento da expressão de imunoglobulinas e interleucinas),
  • Alteração do limiar da dor (aumento da liberação de endorfinas e encefalinas, com consequente ação analgésica em dores crônicas)
  • Aceleração de processos de reparos em pós-operatórios.

Com tantas possibilidades de tratamento descrito na literatura por diferentes autores, fica uma dúvida na cabeça do leitor: “Qual o protocolo a ser usado nas diferentes possibilidades terapêuticas do ILIB?”.

Essa é uma pergunta complexa, pois, quando buscamos a literatura, temos inconsistências de resultados, bem como divergências de parâmetro de aplicação. Por esse motivo, ao longo do tempo trabalhando com laser juntamente com diferentes pesquisadores, nos indagamos justamente qual o protocolo ideal para a técnica de ILIB. E a resposta é: não sabemos. Por isso, novas pesquisas vêm surgindo para desvendar tal dúvida.


Participei recentemente de uma banca de defesa de tese sobre o assunto, na qual a discussão foi justamente desvendar as possibilidades terapêuticas do ILIB. O fruto dessa discussão compartilho com você agora.

Inicialmente, para entender o princípio da determinação dos protocolos, temos de recordar o que é débito cardíaco. Na visão fisiológica, é definido como o volume de sangue sendo bombeado pelo coração em um minuto, sendo representado pela frequência cardíaca multiplicada pelo volume sistólico. Ou seja, é o tempo que o sangue leva para circular em nosso organismo. Em condições de normalidade, isso equivale aproximadamente a cinco litros de sangue por minuto.

É isso mesmo: a cada minuto, o sangue circula por todo o nosso corpo. O débito cardíaco vai variar de acordo com a intensidade da frequência cardíaca pelo volume sistêmico de bombeamento do coração. Assim, na parametrização do ILIB, nossa ideia é trabalhar com o ciclo do sangue pelo nosso corpo.


Para cada tratamento a ser realizado, quantos ciclos de ILIB temos que executar?

Assim, baseado no fototipo do paciente, na espessura dos tecidos irradiados e no débito cardíaco, definimos o protocolo para cada grupo de tratamento.

Contudo, baseado na literatura científica, juntamente com a colaboração de pesquisadores da área e na experiência adquirida ao longo de 20 anos trabalhando com o laser, sugerimos parametrizar os tratamentos com base em ciclos cardíacos. Assim, as necessidades de tratamento foram agrupadas por similaridade e definidos quantos ciclos são necessários para cada protocolo. É importante ressaltar que, nos protocolos sugeridos, os tratamentos são realizados com laser terapêutico vermelho (diodo semicondutor, que proporciona o comprimento de onda de 660 nm, 100 mW de potência, fibra óptica de 1.000 micras; e-LIB, Therapy ACP, Therapy PLUS, Therapy ILIB-R e Therapy EC – DMC Equipamentos – São Carlos – Brasil).

A regulação dos tratamentos está detalhada no organograma disponível nessa matéria. Os protocolos devem ser realizados a cada 24 horas, durante cinco dias consecutivos. Intervalo de 30 dias sem aplicação e então mais uma sequência de cinco dias consecutivos com a seguinte quantidade de ciclos para cada patologia (Figura 1).

ILIB Protocolos
Figura 1 – Organograma ilustrando as diferentes terapias e a quantidade de ciclos para cada tratamento

Contudo, acredito que o ILIB seja mais uma excelente ferramenta de fotobiomodulação para os procedimentos envolvendo a HOF e, como um todo, para a área da Saúde. Novas pesquisas e parâmetros são necessários para o desenvolvimento de melhores protocolos de atendimento para as mais diversas terapias.


Prof. Hermes Pretel
Prof. Hermes Pretel

Mestre e doutor em Ciências Odontológicas; Professor colaborador do Programa em pósgraduação em Ciências Odontológicas – FOAr/Unesp; Professor e diretor – REO Group; Professor – Núcleo de Pesquisa e Ensino em Fototerapia de São Carlos (Nupen); Habilitado pelo Conselho Federal de Odontologia em Laser na Odontologia.

— Fonte: Revista FACE,

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